05/09/2019 às 00:00:00

Curso debate cultura, política, identidade e movimento de negritude em Frantz Fanon

Curso debate cultura, política, identidade e movimento de negritude em Frantz Fanon

O curso irá apresentar as reflexões de Frantz Fanon a respeito do movimento de Négritude, problematizando as proximidades e diferenças do autor com essa vertente teórica em relação ao trato dos temas cultura, política e identidade.

 

Ementa do curso

 

O curso pretende apresentar as reflexões de Frantz Fanon a respeito do movimento de Négritude, surgido no universo intelectual afro-diaspórico de língua francesa a partir da terceira década do século XX. Os encontros, mediados à leituras prévia de textos escritos por Fanon, oferecerão um espaço de troca e aprofundamento de conteúdos que permitam não apenas a compreensão a respeito da teoria fanoniana mas, sobretudo, a possibilidade diálogo entre essa teoria e algumas grandes questões do nosso tempo, como a relação entre cultura, política e identidade.

 

Justificativa

 

Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores negros mais importantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos culturais e pós-coloniais. Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade de seus feitos e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica, em 1925, no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado. Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs (Peles Negras, Máscaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegemônicas, foi recusada pela comissão julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o título de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l’hérédp-dégénération-spino-cérébelleuse – Um cas de maladie de Friereich avec délire de possession (Problemas mentais e síndromes psiquiátricas em degeneração espinocerebelar hereditária – Um caso de doença de Friereich com delírio de posse). Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas), livro que marcaria a história dos estudos o racismo. Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as alienações coloniais são incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elaboração do protesto negro.

 

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana: Ao tentar ampliar suas percepções sobre o problema dos pacientes em territórios coloniais, vinculando as enfermidades ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Argélia. Durante sua residência neste local os resultados de suas investigações o convenceram das dimensões assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura psíquica das pessoas (Oto 2003:219).

 

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolução argelina e a violenta repressão francesa. É neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiquiátrico para se filiar à Frente de libertação Nacional – FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuirá ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em Túnez. Os anos seguintes foram marcados por intensa agitação política e participação nos fóruns internacionais dos movimentos de libertação no continente africano. Em 1959 publica L’an V de la Révolution Algérienne, sem publicação em português, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, após escrever Les dammés de la terre, o ápice de sua atividade política e intelectual seria interrompido por um problema de saúde que levaria a morte. Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana. Apesar de sua importância para a compreensão das relações raciais contemporâneas, 50 anos depois de sua morte, a obra de Frantz Fanon ainda é pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acadêmica como um todo para a discussão dos elementos apresentados pelo autor.

 

Encontro I – A cultura e a políticas do movimento de Negritude
Apresentar os aspectos estéticos, teóricos e políticos do movimento de Negritude
Leitura recomendada: Guimarães, A. S. A modernidade Negra. In: Intelectuais negros e modernidade no Brasil (2002). (pp. 01-29) Disponível em: http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/Intelectuais%20negros%20e%20modernidad e%20no%20Brasil.pdf

 

Encontro II – O Colonialismo e o Duplo Narcisismo
Apresentar o aspectos gerais da teoria fanoniana, enfatizando as noções de Colonialismo e duplo narcisismo.
Leitura recomendada: Fanon, F. “Experiência vivida do negro”, in: Pele negra, máscaras brancas (2008. pp 103- 126) (http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/Pele_negra_mascaras_brancas-Frantz-Fanon.pdf)

 

Encontro III – Racismo, cultura e identidade: o caso do véu
Apresentar a noção fanoniana de cultura e problematizar a sua relação com a política no contexto de luta antirracista.
Leitura recomendada: Fanon, F. “Racismo e cultura”. in: Em defesa da revolução africana (FANON, 1969. pp 34-48) (http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/racismo-e-cultura_Frantz-Fanon.pdf) – Transcrição da conferência do autor ao I Congresso de Artistas e Escritores Negros, Paris, 1956 e “A Argélia se desvela”. In: Três ensaios sobre a Argélia e um comentário (FANON, 1995) (http://kilombagem.org/wordpress/wp-content/uploads/2016/02/FANON-A-Argéliase-desvela-KILOMBAGEM.pdf)

 

Encontro IV – Consciência Nacional X Nacionalismo.
Apresentar a noção fanoniana de identidade e problematizar a atualidade de sua posição para a compreensão dos movimentos políticos e culturais contemporâneos
Leitura recomendada: Fanon, F. Desventuras da consciência nacional. In: Os condenados da terra. Pp. 121-168.

Disponível em: http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/Os_condenados_da_Terra-Frantz-Fanon.pdf

 

Para saber como se inscrever acesse o site da Revista CULT

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