07/06/2019 às 13:49:00 | por Rafael Alves

Sobre as mudanças que somos capazes de fazer

Este artigo comecçou a ser escrito no Empório Canela - o mais charmoso café/bar da Serra Gaúcha - e foi concluído em uma livraria, Mania de Ler, aqui de Gramado. Alegria das alegrias: há uma bom acervo de livros na seção de Filosofia e de Humanas em geral. 

 

No Empório tocava Hugh Laurie, vulgo Dr. House, que pra quem não sabe tem dois discos de jazz gravados. Como aqui na livraria não tem som rolando, e eu esqueci meus fones, vou fazer de conta que está tocando Miles Davis seguido de John Coltrane enquanto meu café preto e sem açúcar - óbvio - não chega.

 

O tema do underground ainda está rodando minha cabeça. O artigo que escrevi esta semana me fez relembrar fortemente o quanto eu sou fruto do underground. Com meus 16, 17 anos andei uns tempos com uns anarcopunks do ABC paulista que nunca tinham lido Proudhon ou Bakunin... acontece. Havia sempre um som furioso rolando nos bares, bandas que nem lembro mais, mas que deixaram em mim uma experiência profunda e marcante, porque não importa como, a arte sempre impacta. 

 

Como ainda hoje sou um cínico - não ao modo do senso comum, mas ao modo de Diógenes, que viveu a margem dos padrões - e fiel aos meus princípios e valores, continuo crendo que é da margem, que vem as grandes transformações capazes de botar tudo de cabeça pra baixo. Em minha cabeça me vem Robert Rodrigues que além de imapctar o cinema com uma estética própria e característica, ainda traz consigo toda potência de seu início de carreira, com resíduos muito fortes do cinema b, tipo Gindhouse. 

 

E Cioran? Uma voz forte e potente da filosofia do século 20, falando de morte, catarro e insônia. E ele é duplamente um bom exemplo porque permanece a márgem, ao contrário de Rodriguez, que foi incorporado por Hollywood, ou de John Fante, que embora um pouco desconhecido, foi revelado ao grande público por outro marginal, Charles Bukowski, que exigiu a publicação de Pergunte ao Pó, único livro até hoje a me fazer chorar como se um parente meu tivesse morrido. 

 

+++ Assista também: FANTASPOA 2019, A MISSÃO!

 

Agora, com meu café em mãos, penso em mim e no Cinesofia. Este projeto era um canalzinho no Youtube para passar o tempo falando de cinema e filosofia. Cresceu. Hoje envolve pelo menos dez pessoas diretamente, entre produção de pauta, de artigos, de notícias, ou com edição de vídeos e podcast. E tem quem cuide apenas das redes sociais, e de nossa identidade visual e planejamento de marketing. Estamos maiores do que supunhamos, mas mentiria se dissesse que nunca sonhei com isso. Mas mentiria duplamente se dissesse que pensei que esse dia chegaria. E chegou! 

 

Então me vejo, ainda no meu devido lugar da história, infinitamente menor do que esses nomes todos já citados e devidamente honrados, como alguém capaz de promover algum tipo de mudança, de impacto na minha área, filosofa, e porque não, na sociedade como um todo. Na minha área porque ainda hoje em dia, em pleno 2019, os brilhantes filósofos e professores de filosofia de nosso país permanecem excluídos do debate público que acontece nas redes sociais por escolha própria, quando não, desmerecendo o ambiente virtual. E assim crescem tumores como, por exemplo, astrólogos se dizendo filósofos. Talvez eu os inspire, porque não? Quem sabe?

 

E nosso material publicado, do qual muito me orgulho, é sempre feito para fazer nosso leitor ou espectador pensar. Pensar muito e de formas diferentes. E pensando o mundo muda, quase sempre, pra melhor. Mas e você?

 

Que tipo de mudança você se acha capaz de fazer para si e para os outros? Como seu legado impactará a sociedade, supondo que você realize todos os sonhos que hoje possui? Respostas eu não tenho, e mesmo que tivesse, não as daria. Cada um que encontre suas próprias respostas sem a minha ajuda porque de guru, o mundo ta lotado. Então não tenho respostas, nem pra mim nem pra ninguém. Mas se você achar, as guarde para si e saia em busca de mudar aquilo que só você pode mudar.

 

Porque sabemos todos: este mundo precisa mudar.

 

 

 

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