18/07/2019 às 17:27:00

Homem Aranha Longe de casa é Raiz ou Nutella? E a sua masculinidade? - por Jeann Medeiros

Você talvez tenha visto na internet alguns memes, que fazem umas comparações entre os filmes do cabeça de teia e falam sobre os seus tipos de Peter Parker que cada uma das obras trouxe. Caso não tenha visto, relaxa, não precisa se preocupar pois não passa de memes do tipo, “Aranha Nutela, Aranha Raiz” onde o que é velho é melhor do que o novo, essas coisas que você já conhece não é mesmo? 

 

Mas uma entre tantas coisas que não percebemos ou não nos preocupamos é que, o cinema pop e toda a cultura trabalha de forma a mostrar formas de agir e formas de representar tipos, sentimentos, e valores que de certa forma são aceitas.

 

Por exemplo, um aluno nerd idiota que está no ensino médio ganha superpoderes e acha que a responsabilidade é dele em salvar o mundo. É esse tipo de mensagem que se quer passar (ou talvez seja a minha leitura, mas o que deixamos passar despercebido, e talvez só conseguimos enxergar vendo os filmes hoje) que aquele aluno do ensino meio e todos os colegas dele tinham aparência de pessoas de 30 anos, e que um aluno do ensino médio tinha que trabalhar para pagar aluguel, ou questões sobre, por que Peter Parker não consegue deixar a Mary Jane decidir o que ela quer?

 

É sobre estas coisas que merecem também a nossa dedicação, e aqui, irei tentar falar sobre esse tipo de masculinidade do Aranha e como o Peter Parker atual contrasta com os demais e por que ele é diferente em muitos aspectos e isso não necessariamente é algo ruim.

 

Não é fácil falar de masculinidade, mas é necessário. É difícil principalmente por que não é muito comum homens (me incluo nisso) não serem ensinados, que podem chorar e utilizar a emoção, afeto e demostrar carinho (coisas ligadas ao feminino) e que isso não é ruim, pelo contrário isso demonstra que você é um ser humano igual a todos os outros.

 

Não é de hoje e a década de 80 esta ai para nos mostrar que o cinema e toda a mídia é fruto de seu tempo e que é com a representação da vida nas telas que acabou moldando caráter, foi assistindo filmes dos anos 80 que homens aprenderam como ser homens na década de 90 e vendo os filmes de 90 aprendemos como se “comportar feito homem” nos anos 2000. Mas não é só isso, temos também todos os nossos grupos de convivência, família, amigos, escola, clube, todos espaços onde querendo ou não, nos influenciam. E nós influenciamos também, formando caráter e adquirindo valores de certo e errado.

 

O cinema define, grosso modo, padrões estéticos e éticos para nós, talvez por isso ao vermos um Homem Aranha que fala para Nick Fury que ele não pode ajudar por que ele não é um super-herói, como a Capitã Marvel ou o Thor, possa causar um espanto, mas essa cena está nos dizendo que: Peter é uma criança responsável e sabe que isso não é um trabalho pra ele, ele é o amigo da vizinhança e tá tudo bem se tu desistir disso, nem sempre você tem que ser o protagonista, repito, está tudo bem, é normal, é ser humano.

 

Talvez você goste mais do Tobey Maguire ou do Andrew Garfield e na verdade, isso também é normal, todos personagens têm seus prós e contras e o atual não foge desse esquema. Não devemos nos apegar a “qual é o melhor”, mas devemos tentar ter mais empatia com os personagens e tentar entender melhor suas qualidades e defeitos. Por mais que seja um filme é nele que buscamos representação, e a ideia é tentar nos enxergar nestes personagens ou sentir algo que seja legal nisso tudo, e não simplificarmos o nosso sentimento a “memes” e a disputas de ego sobre quem é Raiz ou não. Esse tipo de disputa fala mais sobre você do que você imagina.

 

Homem Aranha Longe de casa tentou ser muitas coisas em um filme só, e não tenho certeza se deu tudo certo, mas o que estou me preocupando neste texto, talvez prolixo (e desculpe por isso), é que enxerguemos o Peter atual como um filme que está te dizendo que não tem problema chorar, sentir, amar.

 

Quem decide o bem-estar das pessoas são elas mesmas, por isso Peter pode parecer menos preocupado com a segurança dos amigos, talvez ele se preocupe ainda mais por deixar o protagonismo na mão de cada um. Cada um com sua autonomia e subjetividade.

 

Repense seus valores, repense sempre, não existe nada melhor para fazermos do que repensarmos nossa masculinidade, pensar o que nos torna homens, ou o que é ser homem.

 

Pense.

 

A dica que eu, como alguém que está em um processo eterno de mudança é simples, chore, sinta, deixe seus sentimentos saírem dai de dentro, tenha coragem e tenha força para entender, que nada disso é ruim, e muito menos é algo “feminino” isso é uma coisa normal de seres humanos, não seremos menos homens por abraçar um amigo e dizer como você se sente. Vai por mim, assim a gente ajuda todo mundo.

 

Obrigado.

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